Separou.
E dentre
todas, a perda que mais latejava era a do muro mágico, invisível, do casamento,
que certamente a cerceava, mas também a protegia.
Entrou no
quarto de hospital e viu a amiga deitada na cama, a face denunciando a recente
cirurgia. O marido, os parentes, os amigos, todos em volta, preocupados,
a bancada
cheia de flores e chocolates
o zum zum de
conversas sobre a cirurgia, sobre quem ia casar, quem ia ter bebê, quem
viajou...
O muro
mágico e invisível da amiga...
... e se
sentiu penetra...
Era como se
ela, diabética de amor e carinho, entrasse numa confeitaria e visse tudo aquilo
que desejava... mas não podia comer.
Não podia se
nutrir de todo aquele açúcar, de todo aquele afeto, de toda aquela proteção.
E mais uma
vez se sentiu sem bordas, sem contenção,
com os
contornos de seu corpo e de sua alma se esfumaçando,
perdendo a
definição do propósito de sua vida diabética.
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