Escrevinhanças

domingo, 31 de maio de 2015

WORDS

She sits and reads
Hours in a row

words distract her …


So she won’t hear the voices in her mind



VANITY

Vanity was ripped off me with violence.

It wasn’t a merciful, compassionate process.
It didn’t give me time
to slowly  get used to the idea.
It was ruthless, cruel as our final hour.

My mind sees me youthful and tender,
But the mirror shows the sorrows I carry
Disguised as overflows on my body’s silhouette,
Burdens of mournings not digested,
Disillusions not accepted.

The ideal dream not fulfilled,

Failure printed in the wrinkles of my face.
1994

Foi o ano em que supostamente a ficha dela deveria cair.
Em junho ou julho ele comprou um Jeep. No fundo de sua cabecinha tola e ingênua, uma luzinha vermelha de alerta se acendeu, mas ela não deu muita bola. Assim como nos 24 anos de casada não quis admitir que ele não a amava genuinamente.

Vou explicar. Ele amava o papel e a função que ela representava, aliás muito bem.
Era a perfeita dona de casa, a mãe bicho, instintiva que cuidava da cria como uma leoa carinhosa, mas feroz se necessário, a companheira batalhadora que também ajudava a pagar as contas da casa.
O que ele não conseguia enxergar era o adicional.
A sensibilidade, a criatividade, a inteligência, a cultura, o refinamento e os valores baseados numa ética humanitária que ela tinha.
Quando ele dizia que a amava, ela respondia: você não me ama, pois você não me conhece...

Pois bem... tudo começou com um Jeep.
Ela sabia de ouvir falar, de histórias que ouvia de amigas, aliás, corria uma lenda urbana, que homens quando chegam à andropausa... (sim, ela existe sim, minha amiga) compram um jipe porque tem mais chance de cantar mulheres...

Pois bem, o Jeep foi um alerta que resolveu ignorar.

Setembro:
Em setembro ela decidiu que já era artista suficiente para abrir seu próprio atelier de pintura. Tímida, buscando nele a segurança que lhe faltava, um dia disse, como quem não quer nada: “acho que vou alugar uma casinha pra montar meu atelier”.
Ele ouviu o “como quem não quer nada”.
“Pra que? O quarto de empregada não está bom pra pintar?”
Nem mesmo as três exposições já programadas pra Brasília, Belo Horizonte e uma nos Estados Unidos, curada pelo Consulado Americano, vestiram-na de “artista plástica”. Se não foram suficientes para validá-la, como seriam suficientes pra ele?


É que na cabecinha dela, que misturava contos de fadas com Erich Fromm, um parceiro amoroso dava asas, encorajava o objeto amado a voar. O dela, parece que prefiria-a rasteirinha,
 (c mintende?)

YELLOW

She needed some yellow in her life.

She had known white in the icy winter mornings,
She had felt red in the rages life had taught her.

Blue was a constant in her troubled mind,
Purple surrounded her in the lights of falling evenings.

Even green made her wonder
Whether there’s meaning
In life’s ongoing cycle.

But yellow… ah, yellow

Her soul craved mind-numbing yellow
… to sedate the pain

of her colorless hopelessness.

DO OUTRO LADO

Do outro lado está a menina que brincava de amarelinha
Do outro lado está a menina que se apaixonava pelo vizinho
Do outro lado está a noiva radiante rainha de seu casamento
Do outro lado está a mãe bicho que lambeu sua cria
Do outro lado está a mulher que desenvolveu mil talentos

Um muro separa duas realidades:

Uma solar, radiante
Outra opressiva, paralisada



Ela só precisa cruzar o muro

Lá no Começo...

Quando eu tinha uns sete anos eu pensava:

Eu sou azul...
Queria tanto ser verde,
Mas sou azul...